quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

eu vou pra Maracangalha, eu vou...



hoje é dia de ir à feira
e recolher as roupas do chão
tentar dar um aspecto humano 
à casa
hoje é dia de sua visita
por hoje, chega de ausências

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E boa viagem para mim! Voltamos em cerca de 10 dias.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Haiti é aqui (mais uma vez)



Houve um terremoto no Haiti. Aqui no Brasil, de família em família voam as notícias. Os telefones tocam e os pêsames se espalham. Saem as listas de mortos e feridos. Lorena, cidade no interior de São Paulo perdeu quatro militares. Provavelmente, rapazes no auge de suas vidas.

Zilda Arns está morta. Foi atingida por escombros durante o terremoto. E todos aqueles que a conheceram estão com as vozes embargadas. Deixe-me explicar a relação dela com nossa cidade: Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa idosa, era tia de uma também pediatra que vive e trabalha aqui em Maringá, Mariane Arns. Todas as vezes que Zilda vinha para cá, era uma festa, e uma honra recebê-la. Eu participei disso algumas vezes. Sim, sempre acabávamos como uns patetas, tentando agradá-la, e ela, que, apesar da grande cultura e elegância, era uma pessoa simples, divertia-se, sempre discreta, com as nossas trapalhadas.

Um dia, Zilda me ouviu comentando com sua sobrinha-neta Rafaela sobre as dificuldades do projeto que a UEM desenvolvia em Sarandi; eu fiquei envergonhada, quando percebi que ela, do corredor prestava atenção, mas ela procurou uma solução, com a simplicidade de sempre: “posso escrever para o Requião, ele gosta muito de resultados”.

Falando mais de Zilda Arns, ela desenvolveu um trabalho maravilhoso, que, por meio da educação das comunidades, de complementos alimentares simples e baratos, porém eficientes – a famosa multimistura – e do trabalho de médicos e voluntários, garantiu a saúde e a vida de milhares de crianças em nosso país e se expandiu para 15 outros. Ultimamente, com a Pastoral da Criança bem estruturada, sua fundadora canalizava suas forças para a Pastoral da Pessoa Idosa. Divirto-me só de pensar que no início da pastoral da criança, quando a médica pediatra Dra. Zilda Arns atendia menos de dez crianças, um repórter disse-lhe que dessa maneira ela não ia salvar o mundo, ao que ela replicou que é assim que se salva o mundo.

As pastorais apresentam programas inteligentes, que, não contendo caráter emergencial, buscam, em seu âmbito de atuação, soluções mais sólidas. No caso da pastoral da Criança, não se trata apenas de fornecer a multimistura e realizar o acompanhamento médico das crianças. Trata-se da educação de mães, famílias e comunidades sobre como manter as crianças saudáveis. Trata-se de uma rede em que todos mantêm contato, motivam-se e se informam mutuamente.

É um trabalho realizado com amor; a única recompensa verdadeira, apesar do farto reconhecimento e premiação, é o bem estar das crianças que tanto necessitam cuidados, carinho, uma boa alimentação, educação...Esta é a melhor recompensa, porque afinal, todos somos um. Não adianta construir ilusões: não ficamos bem quando a humanidade está mutilada. Não é possível ficar bem quando as coisas não transcorrem de maneira harmônica; quando há fome, miséria, destruição, exploração. Todos, de uma maneira ou de outra, somos atingidos. Assim como somos atingidos pela situação calamitosa do Haiti.

E nós ainda temos sorte. Sorte porque por trás dos brasileiros no Haiti há um aparato, e as notícias chegam rápido. Sorte porque as pessoas que conhecemos – militares e voluntários em ação – são um tanto ilustres e suas mortes são noticiadas com precisão. Eu mal consigo imaginar a tristeza daqueles que perderam sua cidade, amigos, vizinhos e parentes. Mal consigo imaginar os corpos sem identificação nas ruas. O Haiti já se encontrava em situação complicada o suficiente antes do terremoto, e não se trata, apenas, de se erguer novamente.

 

A única coisa boa nessas tragédias é o exercício da solidariedade, a aproximação das pessoas. Brasileiros, jordanianos, chineses e haitianos partilham da mesma tristeza. E os haitianos se fazem até invejáveis, com suas “danças de luto”, porque aqui nós mal sabemos colocar para fora a tristeza que nos abate.  

 

Bom, Zilda Arns, “morreu de modo bonito”, nas palavras do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, seu irmão. Morreu em missão humanitária, tendo cumprido com seu papel, em paz. Ela estava no Haiti desde segunda-feira, apenas. Seu legado é o trabalho, que continuará salvando vidas e contribuindo de maneira concreta e ágil para um mundo melhor. Nossas orações não são apenas por ela, mas pelo povo haitiano, que agora enfrenta mais desastres.

 

 

Desculpem pelo texto. O jornalismo não é o propósito aqui. Mas é a única coisa que consigo por para fora hoje.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Poema de hoje

Somos todos escritores.
Só que uns escrevem,
outros não.

É do Saramago. Eu o encontrei hoje, ao mexer em agendas antigas. E ele se encaixa perfeitamente ao dia de hoje. Dolis veio até aqui...vamos tentar tocar de novo o Oh! Vida Privada. Estamos muito felizes com a súbita inspiração.

E de quebra, lembrei-me que nunca postei aqui uma ilustração do Hiro. Ele publica em seu blog as "fast girls", ilustrações que faz por prazer entre um trabalho e outro, retratando as divas de nossa infância e adolescência. Eu escolhi uma ilustração genial:

E quem não adora a Smurfete? A corajosa que vive em uma vila só de homens...
E eu achei que no traço do Hiro ela ficou ainda mais legal.


Até mais...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Retalhos





Esses dias, adquiri "Retalhos" roteiro e arte de Craig Thompson (o cara no auto retrato acima), o qual esteve no Brasil no ano passado. Trata-se de uma novela autobiográfica em que o quadrinista conta parte de sua infância e adolescência. E posso dizer que gostei. A premiada novela em quadrinhos é mesmo tocante. Poética e dolorosa. Surpreendentemente dramática, apesar de retratar uma existência um tanto comum. Uma existência em uma família extremamente religiosa, sob a neve no inverno do Winscosin. Os percalços são mais ou menos aqueles...dos quais todos nos lembramos. Gostei da sinceridade de Craig, e principalmente, de seu traço. É cativante. É único. Seu traço revela a história da melhor maneira possível. 
Continuo sem entender que tipo de coragem leva as pessoas a se exporem dessa maneira, mas melhor para nós, leitores, que temos ao nosso alcance obras como essa. 

Olha a foto do cara:


E uma das ilustrações do livro "Retalhos", creio que seu trabalho que alcançou maior repercussão:  


domingo, 10 de janeiro de 2010

Obituário

Dal morreu hoje (ou ontem, não sei que horário constará aqui). Ele adquiriu ictiofitiríase. O ciclo de vida do protozoário foi rápido. Dois dias, por causa da temperatura elevada no verão. As nadadeiras se fecharam, e o corpo ficou coberto de pontos brancos. As brânquias faziam mover as guelras com dificuldade, formando grandes bolhas na água do aquário. E assim foi..na sexta-feira, ele estava ótimo, ludibriando-me para conseguir mais comida; sábado, apareceram os pontos brancos, e percebi a falta de apetite. Na madrugada de sábado para domingo, observei o estado das nadadeiras. Droga. Acordei e a primeira coisa que vi foi o peixe morto. Parece que não havia como salvá-lo.
Bom...devo dizer as últimas palavras:

 - Dal ficou pouco tempo conosco, mas soube mostrar seu valor. Era um peixe muito esperto, e sempre reagia à nossa presença movendo as nadadeiras - e vocês sabem o quanto é difícil um Betta se mover. Confesso que preferiria que tivesse um sepultamento digno, na águal. Mas mesmo no lixo, creio que seus átomos cumprirão sua função de sustentar outras vidas. E nós ainda vamos nos encontrar por aí. 

A estante está vazia sem o aquário.
Vou arranjar um Dal II antes que meu irmão volte da praia.

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E hoje, enfim, temos um curta...
Este é especial. Quem não gosta de ouvir uns "causos"? A primeira vez que ouvi a história do corpo seco, foi pela Iuska. É claro que a história dela, brindada pelas aventuras de seu intrépido primo - rapaz que derrotou um corpo seco sozinho! - era bem mais apavorante. 


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Recordações

Estamos mudando de casa mais uma vez...eu não sei quando vamos conseguir, mas por via das dúvidas, já vamos encaixotando tudo (é o esporte preferido do meu pai). Mudança significa remexer tudo, organizar o que permanecerá conosco e nos livrar daquilo que não irá. 
Confesso que colocar os papéis em ordem, para mim, sempre foi um tanto doloroso. Eu tenho mania de arrecadar uma quantidade imensa de souvenirs ao longo dos anos. E minha memória é infalível: se olho uma folha de apostila suja e cheia de vincos em meio aos meus papéis, sei de quem era, e em que ocasião veio parar em minhas mãos. E ainda enrubesço, envergonhada diante de mim mesma por "roubar" esse tipo de coisa. Vai muita coisa para o lixo. As cartas, não. Dou muito valor às correspondências e bilhetes. É mal de família. Mas, se um dia alguém vir a ser importante, pode virar dinheiro (até o Gabriel Chalita faz isso).
Aliás, nessa época do ano, todas as lixeiras estão cheias de memórias: conveites para formaturas e cartões de Natal rasgados, votos de felicidade e fotos. Mas hoje o lixeiro já passou.
Agora à noite estamos fuçando nas fotos. Eu juro que não sei por que as pessoas tiram fotos. Veja o exemplo abaixo:



Meu Pai: Sua mãe devia patentear esse penteado.

Certeza que a Lady Gaga iria querer usar!

Minha mãe é a que não está de gravata (meu pai tira sarro, mas olha a belezinha que ele era). Bom, antes uma foto antiga deles do que uma minha.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo!?

Entre mortos e feridos salvaram-se todos. Para uma noite de ano novo, até que teve um final feliz.
Como sempre, tudo começou com uma idéia infeliz. "Já que estamos em Maringá, que tal descer até a praça da Catedral e ver os fogos?", toda idéia infeliz de reveillon é seguida pela aprovação unânime dos demais.
Os fogos foram horríveis, baixos demais. Um buscapé foi para o lado ao invés de subir, vindo em nossa direção. Todos correram, menos o Raul. A sorte é que Raul, como um integrante do elenco de Matrix, graciosamente desviou do "projétil".



Raul quase foi decapitado, e nós batemos em retirada após mais dois torpedos perseguidores. O D'Vinyl ainda estava fechado nessa hora.
Bom, eu, que só queria passar a noite de ano novo na boate como qualquer garota de boa família, acabei passando a "virada" jogando poker, como uma degenerada.
O Caio é um trator no poker, com seu grito de guerra: "Tremei!".



Voltando para casa, meu irmão dirigindo, eu e o Raul no banco de trás (Caio fazendo o taxista), deparamo-nos ainda com uma hot purchasing! Uma moto preta com duas pessoas sendo perseguida por três carros da polícia, reforçados por uma moto também da polícia. A moto costurava entre os carros e os polícias iam "chutando" (vocabulário do Caio). E lá estávamos nós (juntamente com outros veículos...movimento impressionante para uma madrugada de reveillon), entre os caras de preto e os policiais.
Suspeita-se que a razão da perseguição tenha sido um ato de vandalismo. Certamente, o ato foi bem inferior ao tumulto causado na tentativa de sua punição. A nossa sorte é que o habilidoso Caio conseguiu retirar-se do caminho com singular ligeireza.


Bom...essa foi a minha "virada". Peço desculpas pelas imagens, valho-me de um desses computadores utilitários.

Feliz Ano Novo!