segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A questão da infância e da juventude

Estou lendo o livro O Direito Penal Juvenil, de Karina Sposato, que contem ideias muito interessantes.

 A autora cita Microfísica do poder, livro de Michel Focault, que trata o direito e a área judiciária como "canais permanentes de relação de dominação e de técnicas de sujeição". Neste contexto, introduz a já superada (ao menos em tese) etapa tutelar  do direito da infância e juventude no Brasil, em que se criou uma nova categoria jurídica: o menor. 

 Assim, dividiu-se a infância em duas e se atrelou a periculosidade às crianças e adolescentes pobres, alvos preferenciais da intervençao estatal. Explicita a autora: "O controle da infância é exercido pela família e pela escola; já o controle dos menores é atribução dos tribunais".  

 Continua Sposato: 


Essa é uma afirmação fundada na constatação de que os mecanismos de controle social foram ao longo da história tornando-se mais sofisticados e proporcionalmente seletivos.

O modelo educacional dirigido à educação /reeducação é um bom exemplo, pois em se tratando da infância pobre, tinha por meta moldá-la para a submissão, conforme as relações de produção industrial capitalista. 

À elite, as letras; às classes populares, a instrução para o trabalho.  


Muito interessante essa reconstrução da visão jurídica e social da infância e da juventude. Felizmente esta não é a primeira (e nem a última) obra humana e esclarecedora em defesa destes cidadãos que às vezes ainda são tratados como “objetos de direito” sobre os quais a justiça é meramente aplicada, e não como sujeitos de direito. A infância e a juventude ainda são setores da população com pouca voz, o que a meu ver se justifica no sistema por não serem ou serem pouco “produtivos” dentro da ótica de mercado. 

No entanto, o tratamento da criança e do adolescente como “cidadãos de segunda classe” não pode ter espaço em um momento histórico como este, que todos julgam tão esclarecedor no que concerne aos direitos humanos.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A questão da alma



A extensão universitária é o docinho da vez.

Toda troca de governo é tortuosa para aqueles que dependem do Governo do Estado. A mim, o que incomoda é quando o corte de gastos recai sobre a educação. 

A semana passada foi a última do Núcleo de Estudos dos Direitos da Infância e Juventude (NEDIJ) da UEM. Sim, o projeto destinado a tratar da situação jurídica de crianças e adolescentes carentes, muitos dos quais em grave risco pessoal foi extinto. Antes disso já havia sido extinto o Serviço de Assistência Judiciária (SAJ) da UEM. 

A extensão universitária não apenas oferece ao estudante uma oportunidade de atuar em sua área mas também  traz à baila o sentido de social, o sentimento de coletividade. 

No NEDIJ, onde há tempos estagiei, advogados recém formados e alunos de direito atuavam em ações de adoção, tutela, alimentos, investigação de paternidade e sócio-educativas, fazendo valer, efetivamente, os direitos das crianças e dos adolescentes. A equipe contava ainda com um profissional e um estagiário na área de psicologia.

Mas este projeto em cujos ideais nós acreditamos, e que nos incitou a escrever artigos científicos e elevar o nome da Universidade Estadual de Maringá (é sempre bom recordar que muitas vezes fomos a congressos, para tratar da peculiar situação da criança e do adolescente, com recursos próprios) simplesmente não existe mais.

Se ao menos houvesse Defensoria Pública no estado do Paraná, haveria uma justificativa para os fechamentos, mas o novo governo já se pronunciou declarando não haver necessidade de uma Defensoria Pública. Nós, que atuávamos nesta área, e conhecemos a imensa demanda por este serviço, discordamos.

Agora é torcer para que o Serviço Judiciário das faculdades particulares absorva os casos que antes eram atendidos pela UEM, em especial aqueles envolvendo crianças e adolescentes, cujos envolvidos antes tinham um órgão ESPECIALIZADO à disposição.

Os cortes no orçamento de Universidades são sempre pela manutenção do status quo. Retira-se do estudante a chance de aprimorar sua formação e se profissionalizar, retira-se daqueles que não dispõem de recursos financeiros o acesso à Justiça e se retira da criança e do adolescente o direito à prioridade nas políticas públicas (garantido pelo art. 227 da Constituição Federal).

Mexeram nos meus docinhos.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Voo noturno





                                 .










         Você confia em seus conhecimentos. E em seus preconceitos. Você nunca parou para observar uma mariposa, que pode passar dias ou semanas sem se mover, e que pode, inclusive, morrer e continuar presa à parede. Mas acima de tudo: você nunca parou para observar uma mulher.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ocaso

A derrocada da nobreza francesa começa a fazer suas vítimas.




Neste ano da graça de 1322 vivemos muitos infortúnios.  A seca, somada aos prebostes do Senhor de Marigny – que se lançaram sobre a pequena nobreza como aves de rapina – provocaram nossa quase completa ruína. Os recursos se esgotam, e é trágico ver a magreza dos animais, a palhinha caindo das torres do velho solar...
Fúnebre é a visão de nossas despensas, das refeições ralas sobre a mesa de carvalho. Mas como obrigar os servos a entregar a devida porcentagem da produção a senhores despidos de poder, sem influência alguma na corte, sem meios para afrouxar as garras reais que os abatem?
A caça, então, vai muito mal. Os únicos que têm permissão para ir aos bosques e perseguir os animais selvagens são os senhores meus irmãos, e eles, Deus que me perdoe, não tem competência alguma para tanto. Mas não posso culpá-los deliberadamente, afinal, estão tão magros que seria mesmo um milagre se conseguissem trazer boas peças de carne para casa.
Falei em Deus. Ó Senhor, perdoe-me por não mais ir à missa. Mas irei vestida com o que? E mais, irei montada em nosso único pangaré, que mal se aguenta em pé? E magra deste jeito? Não, Senhor, não irei, e não é por minha vontade. É porque minha aparição dissiparia minhas chances restantes – e elas são poucas, meu Deus, o Senhor bem sabe – de arranjar um marido. E só conseguindo um bom casamento hei de me livrar dessa condição miserável.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Eu fui ao cinema

Já faz um tempinho, eu fui ao cinema e assisti ao filme "Enrolados" da Disney, que conta uma versão divertida da história da Rapunzel. 


Eu adorei o clima medieval do filme, manifesto na vila em torno do castelo e na trilha sonora. Também gostei da simbologia pagã adotada. Este é um reino em que os habitantes tem uma ligação muito forte com o Sol, que é a fonte da vida, o que ficou expresso em várias metáforas.


Gostei também dos personagens, nada maniqueístas. Afinal, o príncipe encantado é aquele que aparece para nos fazer sentir bem, e  gostar da gente mesmo com os nossos defeitos, só isso. Outro ponto legal é que a senhora que rapta a Rapunzel em nenhum momento é chamada de "bruxa", embora seja claramente uma feiticeira. Aliás, outros personagens também são claramente feiticeiros.  
   
Visualmente, é a animação mais linda que a Disney já fez, cheia de trepadeiras entre as construções, lanternas flutuantes, movimentos rápidos, cabelos hidratados...






Uma trupe heroica

Uma mocinha como as de hoje

O Sol é também o símbolo do reino
 Finalmente um bom filme para as crianças, com valores bem interessantes. Mas, francamente, precisavam mesmo chamar o Luciano Huck para dublar o par romântico da Rapunzel? É um pouco prejudicial...
Olha aí o trailer sem o Huck e aproveita que ainda está em cartaz (ao menos em Maringá).


sábado, 8 de janeiro de 2011

Rabisco




Corporal

Meu carinho é sangrado.
Esses aí de pluma e pelica
não dão sonho no olho
não doem de prazer nos poros
que não brotam de feridas.
Meu carinho é acidentado.
Cai aos borbotões
na minha ponta de faca
goteja lá um bálsamo
se lambe te acaricia.
Vermelho-bicho é meu carinho

Sem hemorragia
eu não-vivo

Beatriz Escorcio Chacon



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ryotiras

Ricardo Tokumoto é o mentor e único colaborador do genial site Ryotiras (além dos leitores palpiteiros, é claro). 


Ryotiras é vida real!


Gostaria de saber quem foi que contou a minha vida para esse cara! 


Ele também fez um filme muito interessante, que parece uma grande assinatura, totalmente impregnado da alma de seus quadrinhos. 



ENGAIOLAS from Ricardo Tokumoto on Vimeo.


Nada de imperativos para cima de vocês. Só passa lá quem quer: ryotiras

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ano Novo

  Começamos mais um ano e foi aquela coisa de sempre: no dia 31/12, a mídia divulgou com pompas: na Nova Zelândia já é Ano Novo! E transmitiu as festas de lá, é claro! Eu acho bem legal este espírito incansável, mas que tal falar de um ano novo realmente diferente, e não apenas em razão do fuso horário? Não, não estou atrasada para falar disso, porque as pessoas de quem falo comemoram o "Ano Novo" no dia 25 de julho. Acho que nunca há atraso para falar do Tzolkin, o Calendário Sagrado dos Maias.




  O Calendário apresenta 13 luas de 28 dias, fundamenta-se nos ciclos naturais, e, por isso mesmo, é um padrão harmônico de medida do tempo. Para que fosse elaborado, levou-se em conta a média do ciclo lunar sinódico, de 29,5 dias e do ciclo lunar sideral, de 27,33 dias (média de 28 dias). Também se considerou que a lua gira em torno da terra, durante o período de translação (365 dias), 13 vezes, e que, por isso, o período de um ano é dividido, naturalmente em 13 luas de 28 dias. Ademais, os adeptos do Calendário da Paz sempre citam a relação com o ciclo mentrual da mulher, também de 28 dias.

  Se você fez os cálculos, deve ter percebido que estas 13 luas de 28 dias, somadas, correspondem apenas a 364 dias. O dia de "Ano Novo", segundo o Tzolkin, corresponde ao Dia Fora do Tempo, o dia do perdão e a celebração artística da vida e da liberdade. O Dia Fora do Tempo corresponde ao dia 25 de julho no calendário gregoriano porque neste dia a estrela Sírius atinge sua máxima ascensão em relação ao Sol. Também neste dia se sincronizam os ciclos lunar, solar e galático.


  A crença no Tzolkin implica em que esta é uma maneira de medir o tempo do ponto de vista físico, mas também espiritual energético. Cada dia tem uma energia solar correspondente, ou kin, (representada por um selo solar - à esquerda no calendário acima) dentre as 20 energias solares existentes, e uma energia galática entre as 13 existentes (são representadas pelos  tons galáticos, os sinais que se vê acima dos núneros no calendário acima), formando a frequência 13:20 (aspecto espiritual/energético do tempo). As frequências solares e os tons galácticos sao grandes fluxos de energia que envolvem o planeta a cada dia, ajudando no aprendizado de um dos vinte níveis de sabedoria. 
   
  Os mestres maias sincronizadores do tempo, especialistas em calendários, entendiam que o tempo é a 4ª dimensão, radial, indo simultaneamente para todas as direções, num todo com funções de sincronia cada vez mais complexas. A função do calendário de 13 luas, portanto, é de nos sincronizar com o tempo verdadeiro e com a natureza, para uma vida em harmonia, com a consciência do caráter sagrado do que nos rodeia.


  Ainda segundo a crença, para alcançarmos a vida em harmonia, seria preciso nos libertar das deformidades da atual e errônea maneira de se contar o tempo, o calendário com 12 meses irregulares. O calendário de 12 meses foi concebido a partir do círculo de 360 graus, ao qual se acrescentaram 05 para a obtenção dos 365 dias do ano. É um calendário sumério (3113 a. C.), cuja última versão é o calendário gregoriano. Os maias, que atribuíam tão grande importância para o uso do tempo, são a inspiração para a crença de que o uso equivocado do tempo acabou por deformar a percepção humana e conduzir ao estado caótico atual.


  Neste sentido, o mundo vai se tornando mecanizado e artificial, e as pessoas passam a se parecer com máquinas, identificando-se apenas como consumidores. A hora de 60 minutos, por sua vez,  seria a responsável por escravizar as pessoas e atrofiar seu relógio biológico, resultando na frequência 12:60, do materialismo.


  Já o calendário de 13 luas é um calendário lunar-solar perfeito, que exprime o tempo natural, extraído dos ciclos da natureza que ocorrem infinitamente, independentemente da consciência humana disto. Acredita-se que se usado verdadeiramente, e não como uma mera excentricidade, ele expande a mente e a sincroniza com a ordem cósmica, levando à imaginação criativa que proporciona a elevação. 


  No ano de 2012, encerra-se um ciclo de 26.000 anos, e, acredita-se, será o fim deste período de violência e separação que vivemos por meio da reintegração da consciência humana do anel que a Terra descreve em torno do Sol. Esta é a crença maia de que só por meio do auto-conhecimento e do conhecimento do tempo (ambos estão intiamente correlacionados, fundindo-se em uma coisa só) consegue-se manter o planeta em ordem.




AH YUM HUNAB KU EVAN MAYA E MA HO!
(Salve a harmonia da mente e da natureza)

Nina - Dragão Elétrico Vermelho 
(esta é minha assinatura cósmica, meu kin - eu fiz o cálculo na mão quando era mais nova)