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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Dead man's bones



...e então, o Raul trouxe um CD aqui para casa. Eu estava de saída e nem pude escutar direito. Mas esse fim de semana eu escutei o maldito CD. E ele virou a trilha sonora do fim de semana, com suas letras macabras, melodias agradáveis e vozas de crianças. Eu adorei o Dead man's bones.
Reza a lenda que esse projeto do ator de Hollywood Ryan Gosling surgiu quando ele conheceu seu concunhado Zach Shields, namorado da irmã mais nova da atriz Rachel McAdams, que à época era a namorada de Ryan. Isso foi em 2005.
Ao constatarem a indiscutível afinidade - o gosto por trasheira em geral, como zumbis e fantasmas - os dois resolveram fazer um musical que contasse a história de um casal que morreria para então ser feliz para sempre.
O musical ainda não saiu, por um motivo consistente: os milhões de dólares que custaria. Então os dois formaram uma dupla para gravar a trilha sonora da peça; as pessoas ouviriam, adorariam e então eles conseguiriam os patrocinadores para a empreitada. Não deu certo, mas o Dead man's bones tornou-se uma banda com alma própria.
Para conseguir os vocais infantis, eles foram até um conservatório musical para convencer um bando de crianças a cantar no disco. Tocaram as músicas para elas e, diferentemente do que imaginaram, os pestnhas não se assustaram nem um pouco. E o resultado não podia ser melhor: as vozes das crianças encheram de ironia as músicas, que por si só já são bem humoradas e divertidas. Não deixa de ser assustador ouvir as crianças entoando os poemas dos dois insanos que fundaram a banda. Ainda por cima, o Dead man's bones tem clipes incríveis.
Ou seja: Dead man's bones é uma graça e meus vizinhos devem estar loucos, depois de eu ficar três dias ouvindo as mesmas músicas. 
O projeto principal não morreu, mas as informações estão desencontradas. Enquanto a MTV diz que ninguém quer dar um "tostão furado" para os pobres artistas, surgiram alguns boatos otimistas na internet, falando que o musical iria sair. Eu vou esperar. Sentada.
Por fim, brindo-vos com um belo poema (não é a letra da música que dá nome à banda, mas é da minha música preferida): 




I was floating above my bed,
Like a body in a river, in car.
And the only sound in my head
was a dying cricket in a jar.
And I saw little beams of light
come into the bedroom,
from underneath the door.
And they crawled under my sheets,
and they came out of every single pore.



When I think about you, 
When I think about you, 
When I think about you,
flowers grow out of my grave, grave grave!

****

E já que estamos falando de crianças, vamos hoje com a singela e graciosa animação da série "Juro que vi". Um desenho infantil que conta a história da feiticeira Matinta Perera, uma lenda do folclore brasileiro. Eu ainda acho que os roteiristas de desenhos animados brasileiros deviam caprichar mais no final, mas ainda sim me divirto muito com esses desenhos.






domingo, 15 de novembro de 2009

entre os escombros

Criei coragem e fui assistir, ontem, na temporada universitária, uma peça do projeto "Entre os Escombros". Digo que criei coragem, e não me refiro apenas ao calor terrível que estava fazendo e à peça ter local na pequena e fechada sala de ensaios do Teatro Universitário. Não se trata apenas disso; eu confesso: quando penso no grupo Câmera tenho medo. É isso.
É o desconforto da proximidade, de fazer parte e algo. Como as peças acontecem fora dos palcos, não se pode comentar com o vizinho, ou mesmo se mexer e fazer barulho. É algo que exige mais postura, mais seriedade. Há sempre olhos nos olhos com os atores. Sem falar que os textos doem. E são desconhecidos.
A primeira peça do grupo que eu vi foi "Barricada", no galpão do Platão, e foi assustador. As cenas e textos marcantes conduziram a um trabalho muito belo, porém que nos leva a pensamentos nada tranquilos. Não descrevo nada aqui porque banalizaria o que vi, e culminaria em afastar o interesse de quem viesse a ler isto.
Então, cheia de curiosidade, fui assistir, neste sábado, "Exercícios Para a Desordem". Trata-se de uma peça com pouca ação de fato, mas com muito texto, assim como "Barricada". É uma forma de fazer teatro muito interessante, quando realizada com empenho e de maneira harmônica. É difícil uma peça com essa linha se tornar impecável, mas eu gosto muito do Grupo Câmera de teatro (penso que entre eles deve haver altas doses de perfeccionismo) e certa vez vi "Ararat", da "Comedia Nacional de Uruguay", e esta era uma peça impecável.
O fato é que o calor estava mesmo terrível. E a peça foi crescendo E mais de uma hora se passou. Nem percebi.
As primeiras falas foram uma discussão sobre a peça em si. E isso não me animou - não gosto muito desse tipo de "metalinguagem". Mas então eles começaram a falar sobre "ela". E aí eu entendi tudo, e pensei: como o roteirista (Paulo Campagnolo é roteirista e diretor) tem coragem de se expor dessa maneira? De se abrir assim? E as "referências à peça em si" enfim mostraram a que vieram, enquadrando-se no todo e afastando o banal.
Pensei em algo como "Barricada", mas me deparei com um trabalho muito mais intimista. E com a agradável surpresa da atuação hipnótica de Joaquim dos Santos. Márcio Alex Pereira também é um artista de verdade, sensível e humano.
O debate foi uma boa troca humana, mas com ressalvas: Paulo, não se explique tanto! Deixe as entrelinhas de sua peça no lugar...
Enfim, foi uma bela noite, apesar do calor insuportável.

boa noite e boa semana.