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domingo, 28 de agosto de 2011

O nº 315 da Bowery Street, NY

John Varvatos, conceituado estilista italiano, montou sua "concept store" no nº 315 da Bowery Street, em Manhattan, Nova York. Já faz uns 03 anos, mas eu descobri esses dias, lendo uma revista em uma dessas salas de espera da vida. Eu li a primeira frase e pensei: "Que raios é uma 'concept store'?" e ainda "conheço esse endereço...".




Sim, o rapaz me abriu uma "concept store" - seja lá o que for isto - no endereço do antigo CBGB, casa do Country, Bluegrass, and Blues and Other Music For Uplifting Gormandizers em New York. O lendário bar ganhou notoriedade por causa dos shows de punk. Lá tocaram Patti Smith,Johnny Thunders & The Heartbreakers, Blondie, Misfits, e tantos outros, além dos Ramones, é claro. O bar fechou por causa de problemas com o aluguel em 2006, o dono, Hilli Kristal, faleceu no ano seguinte, e em 2008 (se eu não me engano) Varvatos abriu sua boutique.


Fã de rock, Varvatos fez a lição de casa direitinho: montou no lugar uma espécie de Museu do Rock, pendurou poster autografado pelos Ramones na parede, encheu o lugar de livros, discos de vinil, quadros, antiguidades, instrumentos musicais e outras quinquilharias, comprou uns móveis que remetem à década de 70 (estes, em conjunto com o gigantesco lustre no teto, são over até para mim). E agora, os homens de bom gosto podem ir até lá e comprar jaquetas de couro, tenis Converse (Varvatos tem sua própria linha!), camisas almofadinhas e vários acessórios, bagatelas que podem variar entre U$ 400,00 e U$ 8.000,00.


Antes que as pessoas ainda desavisadas comecem a pensar que nada mais é sagrado ou que "everybody has a poison heart", é preciso saber que Varvatos conservou algumas das paredes originais do CBGB. Sim, cobertas por flyers, adesivos, pichações e sujeiras intactos. Podemos, então, ir até a loja e bater repetidamente a cabeça nestas paredes, como em um Muro das Lamentações, até que os seguranças nos arrastem para fora. Terá valido a pena.


De tudo isso, restou, como sempre, a constatação de que as coisas mudam. Eu mesma jamais teria escolhido uma revista de moda, entre tantas outras, para ler em uma sala de espera, há alguns anos.


Assim está o CBGB

Lustre over

Quinquilharias maneirinhas



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Cada um no seu Letes...


segunda-feira, 2 de maio de 2011

ódio




Ódio

Odeie seu ódio
Odeie sua intolerância
Odeie seu mau humor
...
E odeie pimentão.

Simone Alves


O post pararia por aqui, mas não há como ficar indiferente aos recentes acontecimentos. Os norte-americanos comemoram com festa nas ruas a morte de um boi de piranha para anos de violência e intolerância (de ambas as partes, sublinhe-se bem). A despeito da bebedeira e das bandeiras tremulando, ninguém derruba o World Trade Center sozinho. 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nada de novo no front



Desenho que fiz para ilustrar o post anterior. Poderia muito bem se chamar "autorretrato portando uma metralhadora".   

Foi o último que coube no caderninho que o Alex me deu. Paciência, tive de comprar outro e  amar os dois da mesma maneira. 

A idéia surgiu a partir do mangá High School of the Dead (HOTD), com todas as suas personagens adolescentes, zumbis assassinos e armamentos pesados. A metralhadora foi desenhada em tamanho exagerado porque fica mais legal.

Só um aviso: nenhum ser humano foi machucado na elaboração do desenho =)
A metralhadora é só para defesa pessoal, em caso de invasão zumbi. 

terça-feira, 29 de março de 2011


Não é nada de mais. É só o seu estresse lhe fazendo reagir a este caos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Voo noturno





                                 .










         Você confia em seus conhecimentos. E em seus preconceitos. Você nunca parou para observar uma mariposa, que pode passar dias ou semanas sem se mover, e que pode, inclusive, morrer e continuar presa à parede. Mas acima de tudo: você nunca parou para observar uma mulher.


sábado, 6 de novembro de 2010

Desconforto



Si hay gobierno, soy contra. Já experimentou digitar esta frase no google? Chovem críticas mordazes. Por vezes, o discurso se envereda por uma crítica generalizada ao anarquismo, sem qualquer contextualização, ignorando os vínculos históricos, sem se apartar faceta alguma para análise. Engraçado, o anarquismo ainda choca. Quando se vai proceder à exposição de qualquer idéia anarquista, o discurso já é rotulado e desqualificado de chofre. Aí eu percebo certo desconforto mesmo com os princípios democráticos, e com todas as opiniões políticas, econômicas, sociais e artísticas que convivem dentro desse sistema. Existe uma tendência totalitária de desprezo ao divergente que não se enquadra aos ideais democráticos. Quanto ao anarquismo, em geral pouco se busca saber a respeito, mesmo inseridos como estamos na “sociedade do conhecimento”. Não se leva em conta a importância da crítica ao Estado e ao estado das coisas, nem tampouco as idéias anarquistas que foram muito bem assimiladas pela sociedade atual, como o cooperativismo. Enfim, a postura anarquista deveria ser levada em conta, ao menos, para os mais temerosos, a título de reflexão.  Vivemos em um momento em que é fácil constatar algumas situações de superestatização, e a sociedade pouco se questiona a respeito. Será um medo ancestral ou um medo infligido às pessoas pouco a pouco, de maneira inconsciente? Eu sei que tanto a discussão teórica quanto a busca por soluções viáveis para melhorar o que já está posto perdem, e muito, quando se adota uma postura intolerante, ou quando a ignorância se faz prevalecer.


Manifestação anarcofeminista na Argentina

A contestação à autoridade estatal abre as veias poéticas de São Paulo.
Foto retirada do site da Revista Piauí.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Estado de espírito em quadrinhos



Mentirosa
(menta & rosas)

ela conta histórias tristes
sobre cabos que se rompem
e astronautas que ficam vagando no espaço




****

Quadrinho da Turma da Mônica em estilo Mangá. Quem nunca quis falar - ou gritar - isso escreva "não" com a testa!
O poema é muito velho. Lembrei dele porque ouvi uma história triste no rádio.



terça-feira, 8 de junho de 2010

Complexo B



Enfim, tive uma prova de que as vitaminas, essas abstrações que assombraram minha adolescência, realmente existem. Sim, vitaminas são reais e sua ausência acarreta um grande transtorno.
As vitaminas são necessárias ao metabolismo, mas sua síntese não ocorre em nosso corpo. São alheias ao nosso organismo.
Eu estou com uma séria deficiência de vitaminas do complexo B, aquelas, que todos acham importante dizer que são solúveis em água.
São alimentos ricos em vitaminas do complexo B: banana, lentilha, batata, pimenta, óleo de oliva, peru, fígado e atum. Destacam-se o levedo e o melaço, potências da categoria.
Tanto desespero para ler em qualquer site fubenga que é falta de cerveja (sim, a cerveja é uma fonte de vitamna B).
Chegou a hora de mudar de vida, alimentar-me melhor para que todos estes sintomas - os que me fizeram constatar a carência da milagrosa substância e os que a carência desta me fez constatar -  sejam expurgados, enquanto assobiam "the mamas and the papas".


Sinto uma atração irreprimível por alimentos básicos. Os ácidos me matam lentamente. 





segunda-feira, 31 de maio de 2010

What Silvio did


since you said goodbye
polka dots fill my eyes
and I don't know why

quarta-feira, 24 de março de 2010

Desagradando a minoria



Hoje eu estava na biblioteca, esperando o laboratório de informática abrir, quando vi um especial da Folha. Uma espécie de gibi do Glauco. É claro que só entrei no laboratório bem depois do horário em que ele abre.
Eu estava pensando no Glauco esta semana. Domingo, a Veja chegou aqui em casa. A capa, com letras amarelas (seriam amarelas mesmo? na minha memória, são amarelo gritante) dizia: O Psicótico e o Daime. A foto era do Cadu, assassino de Glauco e Raoni. Juro que não li. Não tive vontade. Mas fazendo uma interpretação sistêmica de tudo o que a Veja já disse sobre o Daime, imagino o enfoque da matéria.
Primeiro, tenho que falar da relação da minha família com a Veja. Assinávamos a Istoé. Mas ela foi fiando ralinha, ralinha...parcial, tendenciosa...e isso coincidiu com a época em que eu e meu irmão estávamos para prestar vestibular. Na Universidade daqui, muito do conhecimento geral cobrado na prova era retirado da Veja (na minha humilde opinião, uma lástima!). Isso já faz anos. E a Veja continua chegando todo domingo aqui em casa. 
Esses dias, um rapaz me abordou de maneira criminosa muito insistente para que eu assinasse a Istoé "de graça"-pagando-o-frete-e-sei-lá-mais-o-que. Não assinei-ganhei-de-graça-o-frete-custava-o-preço-de-uma-assinatura, mas ganhei uma revista Istoé de dezembro de brinde (já era março). Eu sinceramente, ainda prefiro a Istoé, apesar da propaganda deslavada do governo e da demonização literal do mensalão de Brasília (revista tendenciosa por revista tendenciosa...); a Istoé fala melhor de ciências em geral e tem uma boa seção cultural. 
Outro motivo é que, de tempos em tempos a Veja também elege seu "demônio" - a origem de todos os males - e se enche de um tom alarmista que beira o cômico.
Hugo Chavez, Protógenes Queiroz, o PT, Antonio Cândido, o MST, José Saramago...Cada um tem sua vez, e seu âmbito de atuação. E é claro que alguns são mais perigosos e merecem mais destaque.
O Daime, antes motivo de chacota, deve ter passado a ser a bola da vez.O Daime integra uma prática religiosa de raízes indígenas. A Veja, como mídia de um "mundo civilizado", vem sistematicamente deturpando essas práticas e ridicularizando seus adeptos e defensores.
A morte de glauco foi lamentável. Quando uma pessoa absolutamente pacífica morre de forma violenta, é chocante. Mas esse, pelo visto, não foi o enfoque da Veja.
Lindemberg é um monstro. Nardoni é um monstro. Os irmãos Cravinhos são monstros. Estão todos no Presidído das Estrelas (P2), seus nomes ainda ecoam pelo Jornal Nacional. 
Cadu é um psicótico. Glauco não é uma vítima. Ele usa alucinógenos.



Meu pai leu a notícia. Questionado sobre a matéria da capa, ele respondeu: acho que o Glauco vai pegar uns doze anos de prisão.
Aqui no interior, o despeito pela crença de Glauco ganhou a opinião pública. As pessoas não perdoam o cartunista por tomar o Daime. Por trás dos discursos cautelosos, percebe-se a intenção de dizer: a culpa é dele (Glauco). Ele fundou a comunidade. Ele tomava o Daime. Cadu era drogado e psicótico; e ainda por cima, tomou o Daime.




A revista questiona o "cidadão de bem": até quando devemos permitir a liberação de uma droga alucinógena para um culto religioso? 
E as pessoas concordam que alucinógenos são algo mau.
A liberdade de crença, garantia constitucional, esbarra em nossos preconceitos, em nossas condenações discretas (ou não tão discretas). As crenças e práticas indígenas não devem servir para nós.
A Veja só não desdenha os católicos, chamando-os sutilmente de malucos antropófagos que pensam que hóstia é carne, porque eles são uma maioria. Poderiam cercar o NEA (Novo prédio da Editora Abril...) e destruí-lo em meio a um tumulto...ou pior, as vendas poderiam cair!




...só me resta me divertir com a obra "residual" desse cartunista brilhante que é o Glauco...




Desculpem-me o texto, que "chora em hipérboles". Isso aqui é um blog pouco lido, uma mídia "quase irresponsável", de finalidade é apenas lúdica.


Permitam-me uma última brincadeira, mas eu acho que a Veja só faz esse sucesso todo porque é a voz que concede legitimidade ao pequeno facista que se esconde em cada "cidadão de bem".

segunda-feira, 1 de março de 2010

Brasil: o Segundo



Deparei-me, neste fim de semana, com a constatação: em 2009, o Brasil se tornou o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Pareceu-me que tive um déjà vu, mas mais tarde, minha memória afastou essa hipótese:


- O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos (2004);  
- O Brasil é o segundo maior mercado para cirurgias plásticas do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (2008);
- O Brasil é o segundo maior produtor de insumos para a saúde animal no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos;
- O Brasil é o segundo maior consumo de cosméticos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (2008);
- O Brasil é o segundo maior mercado de cosméticos masculinos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (2009);
- O Brasil é o segundo maior produtor de resina de árvore do mundo, atrás apenas da China; 
- O Brasil é o segundo maior mercado da Volkswagen no mundo, perdendo apenas para a China (2008);
- O Brasil tem o segundo maior custo de vida da América do Sul, atrás apenas do Chile (2006);
- O Brasil tem o segundo maior índice de Clima Econômico da América Latina; ficando atrás apenas do Peru (2009);
- O Brasil foi o segundo maior exportador de ferro para a China em 2009, atrás apenas da Austrália;
- O Brasil é o segundo maior fornecedor de cocaína para a Alemanha, superado apenas pela Holanda (2005);
- O Brasil tem o segundo maior número de usuários do blogger, atrás apenas dos Estados Unidos (2009);
- O Brasil é o segundo maior mercado de drogas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (2008);
- O Brasil tem o segundo maior número de usuários de twitter do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (2010);
- O Brasil é o segundo maior gerador de spams do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (2009);
- O Brasil tem o segundo maior índice de analfabetismo da América do Sul, atrás apenas da Bolívia;

Bom..existem estatísticas demais por aí, e o Brasil é o segundo maior QUALQUER COISA que seja objeto de estatísticas. É um exagero.
Bororó do Oeste: isso é Brasil (tira de André Dahmer).

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Haiti é aqui (mais uma vez)



Houve um terremoto no Haiti. Aqui no Brasil, de família em família voam as notícias. Os telefones tocam e os pêsames se espalham. Saem as listas de mortos e feridos. Lorena, cidade no interior de São Paulo perdeu quatro militares. Provavelmente, rapazes no auge de suas vidas.

Zilda Arns está morta. Foi atingida por escombros durante o terremoto. E todos aqueles que a conheceram estão com as vozes embargadas. Deixe-me explicar a relação dela com nossa cidade: Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa idosa, era tia de uma também pediatra que vive e trabalha aqui em Maringá, Mariane Arns. Todas as vezes que Zilda vinha para cá, era uma festa, e uma honra recebê-la. Eu participei disso algumas vezes. Sim, sempre acabávamos como uns patetas, tentando agradá-la, e ela, que, apesar da grande cultura e elegância, era uma pessoa simples, divertia-se, sempre discreta, com as nossas trapalhadas.

Um dia, Zilda me ouviu comentando com sua sobrinha-neta Rafaela sobre as dificuldades do projeto que a UEM desenvolvia em Sarandi; eu fiquei envergonhada, quando percebi que ela, do corredor prestava atenção, mas ela procurou uma solução, com a simplicidade de sempre: “posso escrever para o Requião, ele gosta muito de resultados”.

Falando mais de Zilda Arns, ela desenvolveu um trabalho maravilhoso, que, por meio da educação das comunidades, de complementos alimentares simples e baratos, porém eficientes – a famosa multimistura – e do trabalho de médicos e voluntários, garantiu a saúde e a vida de milhares de crianças em nosso país e se expandiu para 15 outros. Ultimamente, com a Pastoral da Criança bem estruturada, sua fundadora canalizava suas forças para a Pastoral da Pessoa Idosa. Divirto-me só de pensar que no início da pastoral da criança, quando a médica pediatra Dra. Zilda Arns atendia menos de dez crianças, um repórter disse-lhe que dessa maneira ela não ia salvar o mundo, ao que ela replicou que é assim que se salva o mundo.

As pastorais apresentam programas inteligentes, que, não contendo caráter emergencial, buscam, em seu âmbito de atuação, soluções mais sólidas. No caso da pastoral da Criança, não se trata apenas de fornecer a multimistura e realizar o acompanhamento médico das crianças. Trata-se da educação de mães, famílias e comunidades sobre como manter as crianças saudáveis. Trata-se de uma rede em que todos mantêm contato, motivam-se e se informam mutuamente.

É um trabalho realizado com amor; a única recompensa verdadeira, apesar do farto reconhecimento e premiação, é o bem estar das crianças que tanto necessitam cuidados, carinho, uma boa alimentação, educação...Esta é a melhor recompensa, porque afinal, todos somos um. Não adianta construir ilusões: não ficamos bem quando a humanidade está mutilada. Não é possível ficar bem quando as coisas não transcorrem de maneira harmônica; quando há fome, miséria, destruição, exploração. Todos, de uma maneira ou de outra, somos atingidos. Assim como somos atingidos pela situação calamitosa do Haiti.

E nós ainda temos sorte. Sorte porque por trás dos brasileiros no Haiti há um aparato, e as notícias chegam rápido. Sorte porque as pessoas que conhecemos – militares e voluntários em ação – são um tanto ilustres e suas mortes são noticiadas com precisão. Eu mal consigo imaginar a tristeza daqueles que perderam sua cidade, amigos, vizinhos e parentes. Mal consigo imaginar os corpos sem identificação nas ruas. O Haiti já se encontrava em situação complicada o suficiente antes do terremoto, e não se trata, apenas, de se erguer novamente.

 

A única coisa boa nessas tragédias é o exercício da solidariedade, a aproximação das pessoas. Brasileiros, jordanianos, chineses e haitianos partilham da mesma tristeza. E os haitianos se fazem até invejáveis, com suas “danças de luto”, porque aqui nós mal sabemos colocar para fora a tristeza que nos abate.  

 

Bom, Zilda Arns, “morreu de modo bonito”, nas palavras do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, seu irmão. Morreu em missão humanitária, tendo cumprido com seu papel, em paz. Ela estava no Haiti desde segunda-feira, apenas. Seu legado é o trabalho, que continuará salvando vidas e contribuindo de maneira concreta e ágil para um mundo melhor. Nossas orações não são apenas por ela, mas pelo povo haitiano, que agora enfrenta mais desastres.

 

 

Desculpem pelo texto. O jornalismo não é o propósito aqui. Mas é a única coisa que consigo por para fora hoje.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Obituário

Dal morreu hoje (ou ontem, não sei que horário constará aqui). Ele adquiriu ictiofitiríase. O ciclo de vida do protozoário foi rápido. Dois dias, por causa da temperatura elevada no verão. As nadadeiras se fecharam, e o corpo ficou coberto de pontos brancos. As brânquias faziam mover as guelras com dificuldade, formando grandes bolhas na água do aquário. E assim foi..na sexta-feira, ele estava ótimo, ludibriando-me para conseguir mais comida; sábado, apareceram os pontos brancos, e percebi a falta de apetite. Na madrugada de sábado para domingo, observei o estado das nadadeiras. Droga. Acordei e a primeira coisa que vi foi o peixe morto. Parece que não havia como salvá-lo.
Bom...devo dizer as últimas palavras:

 - Dal ficou pouco tempo conosco, mas soube mostrar seu valor. Era um peixe muito esperto, e sempre reagia à nossa presença movendo as nadadeiras - e vocês sabem o quanto é difícil um Betta se mover. Confesso que preferiria que tivesse um sepultamento digno, na águal. Mas mesmo no lixo, creio que seus átomos cumprirão sua função de sustentar outras vidas. E nós ainda vamos nos encontrar por aí. 

A estante está vazia sem o aquário.
Vou arranjar um Dal II antes que meu irmão volte da praia.

****

E hoje, enfim, temos um curta...
Este é especial. Quem não gosta de ouvir uns "causos"? A primeira vez que ouvi a história do corpo seco, foi pela Iuska. É claro que a história dela, brindada pelas aventuras de seu intrépido primo - rapaz que derrotou um corpo seco sozinho! - era bem mais apavorante. 


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

dramas mexicanos...

...são hereditários

Aí vai o poema pobre e sem forma de quem realmente anda com raiva de poesia:


****

eu não te amo mais
e digo isso com as poucas 
letras que me restam
eu não te amo mais
e não sei se ainda
gosto de poesia
eu não te amo mais
cansei de nossos jogos
brincadeiras e planos
eu não te amo mais
não sou capaz de fazê-lo
eu não sou invencível

****

isso não tem nada a ver com o Raul, ok?
(sempre bom avisar)

E hoje vai uma do Laerte, de Natal:


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

humpf...



É...é mais ou menos assim.
B-jundas

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Agressividade

Ontem eu cheguei em casa e não me aguentei: fui dormir às seis e meia da tarde.
Motivo: uma palestra que reuniu conselheiros tutelares e conselheiros do "Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente" - CMDCA.
O fato é que alguns conselheiros tutelares fizeram provocações ao membro do outro conselho durante toda a explanação (enquanto o palestrante falava, o pessoal sentado ao fundo gritava; um horror).
No intervalo, um conselheiro tutelar "desancou" uma conselheira do CMDCA. Ela respondeu no mesmo tom de voz (bem forte) e começou a baixaria.
Segundo round: a infeliz abertura para as questões. Todos fizeram perguntas maliciosas enquanto um atônito palestrante (promotor de justiça do Centro de Apoio) dizia que desavenças pessoais prejudicavam a criança e o adolescente, e que é preciso pensar institucionalmente e trabalhar em conjunto pela causa. Enquanto esse lindo discurso era proferido, alguns conselheiros tutelares insistiam em lançar alfinetadas aos outros em voz alta.
Escrito assim até que não parece tão ruim...mas foi.
Fica a dica para os que quiserem se rebelar.
As crianças da cidade estão nas mãos de pessoas assim. Poucos demonstraram preocupação com as crianças. A maioria parecia estar em uma mera disputa de poderes.
A cereja do bolo foi o palestrante. Repetitivo, usou um tom desagradável para falar da Universidade e chamou a nossa atenção (Membros do Núcleo de Estudos da Defesa da Infância e Juventude) porque estávamos tomando nota dos pontos interessantes da palestra (?).
Ficou com o rabo entre as pernas quando percebeu a presença de 4 membros da UEM (que ele chamou de UEL) no local.

Baixaria II
Palestra para a exposição da nova grade curricular do curso de Direito da UEM hoje de manhã. Eu adorei as mudanças, mas meu ano é o que terá maiores problemas com a adaptação. Resultado: alunos (sem a menor noção de [vá lá] hierarquia e sem saber o significado da palavra respeito) fazendo perguntas impertinentes, os trouxas batendo palmas para cada pergunta, e um professor insano e arrogante berrando, e eu digo BERRANDO suas "respostas" estúpidas.
Os alunos deviam erguer as mãos para o céu porque alguém se preocupa com a "formação" deles.E parar de levar as coisas para o lado pessoal; qualquer turma poderia ter se ferrado; por azar foi a nossa. Quanto a discutir com certos professores, é mais produtivo ver a grama crescer do lado de fora.
Quem está ficando agressiva sou eu. GRRRR!


Trilha sonora das últimas maluquices

Fiquei 2 dias com "The Slits" na cabeça. A música sem vídeo taí pr'oceis.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

e a pauta de hoje é...

Quantas vezes, essa semana, estive à beira de berrar: "meu reino por um cigarro"? E eu, que não fumo, surpreendo-me tateando os bolsos na rua da minha casa, como uma imbecil. O ideal seria um charuto, 40 pesos em Montevideo. Um charuto em uma sacada na parte velha de Montevideo. Tá, vou fechar por uma caneta com a tinha bem molhada e a ponta fina.

A caneta já está sobre a minha mesa. Eu já a testei. O desenho ficou legal. Deve ser a sexta-feira: já estou bem mais alegre agora.

Mas chega de conversa fiada, porque a pauta de hoje é



preconceito.
É um tema chato de falar. Chato porque é como atiçar a fogueira, transformar a labareda em incêndio, vez que, aparentemente, o preconceito vem se enfraquecendo geração após geração.
O fato é que, andando pelos corredores de uma universidade, pelas ruas ou até mesmo visitando sites, ouvimos e lemos aquelas frases: "feministas são umas hipócritas; só querem o feminismo quando é bom para elas", e por aí vai...Essa frase, é claro, é só um exemplo. É que foi a que eu vivenciei mais recentemente, proferida por uma criatura que não tem base nenhuma para afirmá-lo, que conheceu algumas mulheres (que não deveriam ser feministas com conhecimento de causa) e aplicou a triste regra para todas as demais - o método indutivo não é lá muito adequado para se chegar a uma regra geral, não é mesmo?
Sofre-se preconceito pela nacionalidade, e quem já esteve na pele de uma vítima de xenofobia sabe como seus agentes sabem ser cruéis e ameaçadores. Sofre-se preconceito pela religião, crença ou pela falta destas. Sofre-se preconceito pela cor de pele, pelo sexo, por ter quilos a mais, por ser bonito(a), por estar doente, pelo grupo étinico ou social a que pertence, pelo modo de se vestir, pela idade, pela condição social ou econômica, pela orientação sexual...
A verdade é que o mundo sofre de uma carência crônica de empatia. E empatia é como uma vitamina fundamental para o bom funcionamento deste organismo vivo. Algo em minha mente está distorcido quando olho para o lado e só vejo as diferenças; estas são poucas se comparadas às nossas semelhanças; entre estas, vislumbro uma máxima: o ser humano não gosta de se sentir rejeitado.
Mas às vezes a gente até se diverte; vocês viram... o governador que na semana retrasada falou que o câncer de mama hoje também é uma doença masculina e deve ser por causa das paradas gays caiu do palanque em Paiçandu na semana passada >>justiça divina: aquela que tarda mas não falha! (aqui lê-se como divino o que quer que seja divino para você).

Preconceito racial existe no Brasil? O Circo Voador fez plantão:



O pessoal do exterior também mandou bem:


O resto fica pra amanhã...
Até mais.

Aqui o link para ver melhor a tira...está no fim da página: http://johandson.wordpress.com/

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Afronta

A semana que passou foi uma tristeza.
Vocês viram o atentado que aconteceu no Paquistão?
Mais de 100 vidas "ceifadas" em um atentado que escolheu local e horário: um carro bomba explodiu em um mercado ao ar livre em Peshawar, e pasmem: no horário em que as mães, depois de buscarem seus filhos na escola, vão comprar o jantar. Saldo: mulheres e crianças mortas. Tá, carro bomba é uma coisa banalizada (eu estou sendo irônica, por tudo o que é sagrado!), mas planejar um atentado visando justamente as mulheres e as crianças é apelativo demais. Uma afronta ao direito à vida...
Aliás, a "tríplice fronteira" entre o Paquistão, o Afeganistão e o Irã deve ser o inferno na terra.
Em meu próprio país,a repercussão da a afronta à liberdade individual que aconteceu em São Bernardo, no dia 22 de outubro prossegue. O que provoca a reação irada de tantos universitários por causa de um vestido curto? É inacreditável que isto tenha ocorrido no Brasil. Porra. E aí a gente descobre que não é a primeira vez, naquela universidade, que um tumulto vitima uma mulher. Mas a vítima anterior sofreu agressões físicas e ficou traumatizada, nunca voltou a estudar. Esse negócio de montar universidades deve ser muito lucrativo mesmo, para um ser humano tolerar essa sequência de absurdos e não fechar as portas.
E para coroar a semana, o Requião abriu a boca. Quando se tem o Lula como presidente (o Lula...aquele que ao visitar a APAE afirmou: "de médico e louco todo mundo tem um pouco", aquele que, em uma reunião com empresários turcos falou que no Brasil, quando passa alguém de porta em porta vendendo algo a gente sabe que é turco; aquele que falou algo sobre alianças políticas com Judas) e o Requião como governador, só nos resta abaixar a cabeça, de vergonha.
A última do governador: o aumento do câncer de mama entre os homens está relacionado à participação em paradas gays. Ele se referia ao uso de hormônios femininos pelos transexuais? Além de uma coisa não ter nada a ver com a outra, a medicina já veio em socorro: os hormônios não tem relação com o câncer de mama.
A verdade é que o nosso governador não perde uma chance de falar mal de quem é diferente dele. O irmão blogueiro ( e sexólogo!) também já destilou seu veneno contra judeus (a família é cristã), contra homossexuais (afinal, isso é pecado)...E depois o governador vem tentar nos enfiar uma demagogia goela abaixo: "para mim, só existem seres humanos".
Não me engana. O meu irmão me alertou: será que homossexuais e pessoas de outra religião se enquadram no conceito de "ser humano" dele?
Bom...autoridades do poder executivo deviam tomar cuidado com o que dizem. Se a justiça da natureza fosse rápida, esse pessoal já tinha ficado mudo (o irmão blogueiro, além de mudo, podia ter uma tendinite). Afronta à ética.

Bom...chega de chatice...filminho legal para o feriadão. Porque a arte é um ótimo meio de extravasar a violência sem ferir ninguém de verdade. Aliás, a arte é o lugar para a liberdade, para discutir temas espinhosos, para fazer crueldades.
Crianças, não façam isso (o que fazem no filme) em lugar nenhum, está bem?
Filme de Vitor Brandt e Vinícius Casimiro, escolhido com carinho no portacurtas...15 minutos de diversão.