Ontem fui ao Projeto Um Outro Olhar depois de muito tempo, por causa de um filme em especial: O Passo Suspenso da Cegonha, de Theo Angelopoulos, lançado em 1991 (o ano conflituoso em que, entre outros eventos de grandes proporções, extinguiu-se a URSS).
O retrato de uma vila no norte da Grécia onde refugiados de vários países, como por exemplo o Irã, a Turquia, a Albânia e a Polônia, convivem confinados em um bairro em expansão, cheio de conflitos, à espera da liberação do governo para que possam seguir suas vidas em "outro lugar", que eles não sabem ao certo qual é, mas que significa, para eles, a liberdade, as oportunidades e a vida que anseiam.
"Quando a Terra começar a se queimar por ter se aproximado demais do Sol, a humanidade terá que procurar outros planetas. Será a Grande Migração, como ficará conhecida posteriormente na história. As pessoas deixarão seus lares, com todos os recursos disponíveis, e se reunirão no Deserto do Saara. Lá haverá uma criança empinando uma pipa, bem alto. E então a humanidade toda segurará a linha da pipa rumo a outro planeta. Alguns levarão uma plantinha, uma rosa, um punhado de grama, ou um animal recém-nascido. E outros irão levar todos os livros de poesia já escritos. Será uma grande jornada".
Fábula contada por um velho refugiado para "entreter" uma criança, dentro de uma espécie de container que lhes servia de casa. Um trecho sentimental e representativo do filme.
Afora a jornada coletiva dos refugiados, que cruzam a fronteira porém permanecem prisioneiros de uma estigmatização, exclusão e intolerância que só faz crescer, há aquelas jornadas pessoais, tão dolorosas quanto.
Então, quando acaba o filme acaba você não pensa apenas em como o governo italiano lidará com as centenas de líbios que atualmente migram para a Itália, ou nas condições em que os refugiados vivem na Alemanha (embora a imprensa frequentemente os retrate como os vilões, que querem usufruir do Estado Democrático de Direito sem respeitar as leis) ou nas pessoas que não conseguem asilo político no Brasil, ou mesmo na questão máxima: "como pode uma pessoa ser ilegal?", mas também no anseio de cada ser humano de se sentir em casa. Para onde é esta viagem? Nós nos aproximamos ou afastamos de casa?
E então, entre as indagações do fime, "Como alguém foge? Por quê? Para onde vai? Como se pode renunciar à própria identidade? O que é ser um refugiado? Quantas fronteiras teremos que cruzar até estarmos em casa?" surge, em minha mente, uma outra questão, de outro filme, O Deserto Vermelho (Antonioni, 1964), de uma outra época, em um outro contexto, mas que pode muito bem ser trazida para este: Será que existe algum lugar no mundo em que se possa se sentir bem?
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domingo, 1 de maio de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Arte de rua
Eu chorei quando vi isso. É verdade.
A única coisa que me incomoda é o artista ter destacado os mesmos pedaços nos três cartazes que aparecem na foto.
Mas isso eu só percebi bem depois. Depois que a cretinice aflorou, como sempre.
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terça-feira, 1 de março de 2011
Esculturas embaixo d'água
Foi por um acaso que eu me deparei com a obra de Jason deCaires Taylor na internet.
Você sabia que só cerca de 10 a15% do leito do mar tem um substrato sólido o suficiente para permitir que os recifes se formem naturalmente? Diante do grande movimento turístico e pesqueiro em torno dos recifes naturais, a solução foi introduzir recifes artificiais, feitos de materiais duráveis, seguros e ambientalmente sensíveis, os quais contribuíram para o crescimento dos corais, que são o suporte de todo um ecossistema marinho.
São esses materiais que deCaires Taylor procura para fazer suas esculturas (já ouvi dizer que ele usa cimento, entre outros). Com traços realistas, diversificados e comoventes, as esculturas, uma vez prontas, são mergulhadas nos mares do México! É possível visitá-las no "Underwater Museum", em Cancún, o maior museu submarino do mundo. O projeto foi tão bem sucedido que já se estendeu a outras localidades.
É impressionante, porque o ambiente transforma as esculturas à medida que corais e demais animais marinhos se instalam nelas. Uma visita jamais será igual à outra, uma vez que a natureza caminha a cada instante.
Outro fator interessante é que o escultor, ao retratar pessoas do cotidiano (representando várias etnias, ofícios e etc) e depositar as esculturas no mar, simboliza o cidadão comum, e a contribuição que cada um de nós deve dar pela preservação ambiental.
É uma arte sem vaidade, visto que os belos e suaves traços produzidos pelo escultor acabam encobertos pela também bela vida marinha.
Aqui, a raça humana se funde com a natureza, demonstrando a necessidade de sobrevivência mútua. A obra selvagem é de uma poesia singular, mesclando arte, estética e consciência.
Você sabia que só cerca de 10 a15% do leito do mar tem um substrato sólido o suficiente para permitir que os recifes se formem naturalmente? Diante do grande movimento turístico e pesqueiro em torno dos recifes naturais, a solução foi introduzir recifes artificiais, feitos de materiais duráveis, seguros e ambientalmente sensíveis, os quais contribuíram para o crescimento dos corais, que são o suporte de todo um ecossistema marinho.
São esses materiais que deCaires Taylor procura para fazer suas esculturas (já ouvi dizer que ele usa cimento, entre outros). Com traços realistas, diversificados e comoventes, as esculturas, uma vez prontas, são mergulhadas nos mares do México! É possível visitá-las no "Underwater Museum", em Cancún, o maior museu submarino do mundo. O projeto foi tão bem sucedido que já se estendeu a outras localidades.
É impressionante, porque o ambiente transforma as esculturas à medida que corais e demais animais marinhos se instalam nelas. Uma visita jamais será igual à outra, uma vez que a natureza caminha a cada instante.
Outro fator interessante é que o escultor, ao retratar pessoas do cotidiano (representando várias etnias, ofícios e etc) e depositar as esculturas no mar, simboliza o cidadão comum, e a contribuição que cada um de nós deve dar pela preservação ambiental.
É uma arte sem vaidade, visto que os belos e suaves traços produzidos pelo escultor acabam encobertos pela também bela vida marinha.
Aqui, a raça humana se funde com a natureza, demonstrando a necessidade de sobrevivência mútua. A obra selvagem é de uma poesia singular, mesclando arte, estética e consciência.
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| La jardinera de la esperanza |
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| La evolución silenciosa - minha favorita |
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| La evolución silenciosa - significativo, não? |
Aqui o site do escultor. Hora de visitar Cancún.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Ano Novo
Começamos mais um ano e foi aquela coisa de sempre: no dia 31/12, a mídia divulgou com pompas: na Nova Zelândia já é Ano Novo! E transmitiu as festas de lá, é claro! Eu acho bem legal este espírito incansável, mas que tal falar de um ano novo realmente diferente, e não apenas em razão do fuso horário? Não, não estou atrasada para falar disso, porque as pessoas de quem falo comemoram o "Ano Novo" no dia 25 de julho. Acho que nunca há atraso para falar do Tzolkin, o Calendário Sagrado dos Maias.
O Calendário apresenta 13 luas de 28 dias, fundamenta-se nos ciclos naturais, e, por isso mesmo, é um padrão harmônico de medida do tempo. Para que fosse elaborado, levou-se em conta a média do ciclo lunar sinódico, de 29,5 dias e do ciclo lunar sideral, de 27,33 dias (média de 28 dias). Também se considerou que a lua gira em torno da terra, durante o período de translação (365 dias), 13 vezes, e que, por isso, o período de um ano é dividido, naturalmente em 13 luas de 28 dias. Ademais, os adeptos do Calendário da Paz sempre citam a relação com o ciclo mentrual da mulher, também de 28 dias.
Se você fez os cálculos, deve ter percebido que estas 13 luas de 28 dias, somadas, correspondem apenas a 364 dias. O dia de "Ano Novo", segundo o Tzolkin, corresponde ao Dia Fora do Tempo, o dia do perdão e a celebração artística da vida e da liberdade. O Dia Fora do Tempo corresponde ao dia 25 de julho no calendário gregoriano porque neste dia a estrela Sírius atinge sua máxima ascensão em relação ao Sol. Também neste dia se sincronizam os ciclos lunar, solar e galático.
A crença no Tzolkin implica em que esta é uma maneira de medir o tempo do ponto de vista físico, mas também espiritual energético. Cada dia tem uma energia solar correspondente, ou kin, (representada por um selo solar - à esquerda no calendário acima) dentre as 20 energias solares existentes, e uma energia galática entre as 13 existentes (são representadas pelos tons galáticos, os sinais que se vê acima dos núneros no calendário acima), formando a frequência 13:20 (aspecto espiritual/energético do tempo). As frequências solares e os tons galácticos sao grandes fluxos de energia que envolvem o planeta a cada dia, ajudando no aprendizado de um dos vinte níveis de sabedoria.
Os mestres maias sincronizadores do tempo, especialistas em calendários, entendiam que o tempo é a 4ª dimensão, radial, indo simultaneamente para todas as direções, num todo com funções de sincronia cada vez mais complexas. A função do calendário de 13 luas, portanto, é de nos sincronizar com o tempo verdadeiro e com a natureza, para uma vida em harmonia, com a consciência do caráter sagrado do que nos rodeia.
Ainda segundo a crença, para alcançarmos a vida em harmonia, seria preciso nos libertar das deformidades da atual e errônea maneira de se contar o tempo, o calendário com 12 meses irregulares. O calendário de 12 meses foi concebido a partir do círculo de 360 graus, ao qual se acrescentaram 05 para a obtenção dos 365 dias do ano. É um calendário sumério (3113 a. C.), cuja última versão é o calendário gregoriano. Os maias, que atribuíam tão grande importância para o uso do tempo, são a inspiração para a crença de que o uso equivocado do tempo acabou por deformar a percepção humana e conduzir ao estado caótico atual.
Neste sentido, o mundo vai se tornando mecanizado e artificial, e as pessoas passam a se parecer com máquinas, identificando-se apenas como consumidores. A hora de 60 minutos, por sua vez, seria a responsável por escravizar as pessoas e atrofiar seu relógio biológico, resultando na frequência 12:60, do materialismo.
Já o calendário de 13 luas é um calendário lunar-solar perfeito, que exprime o tempo natural, extraído dos ciclos da natureza que ocorrem infinitamente, independentemente da consciência humana disto. Acredita-se que se usado verdadeiramente, e não como uma mera excentricidade, ele expande a mente e a sincroniza com a ordem cósmica, levando à imaginação criativa que proporciona a elevação.
No ano de 2012, encerra-se um ciclo de 26.000 anos, e, acredita-se, será o fim deste período de violência e separação que vivemos por meio da reintegração da consciência humana do anel que a Terra descreve em torno do Sol. Esta é a crença maia de que só por meio do auto-conhecimento e do conhecimento do tempo (ambos estão intiamente correlacionados, fundindo-se em uma coisa só) consegue-se manter o planeta em ordem.
Nina - Dragão Elétrico Vermelho
(esta é minha assinatura cósmica, meu kin - eu fiz o cálculo na mão quando era mais nova)
A crença no Tzolkin implica em que esta é uma maneira de medir o tempo do ponto de vista físico, mas também espiritual energético. Cada dia tem uma energia solar correspondente, ou kin, (representada por um selo solar - à esquerda no calendário acima) dentre as 20 energias solares existentes, e uma energia galática entre as 13 existentes (são representadas pelos tons galáticos, os sinais que se vê acima dos núneros no calendário acima), formando a frequência 13:20 (aspecto espiritual/energético do tempo). As frequências solares e os tons galácticos sao grandes fluxos de energia que envolvem o planeta a cada dia, ajudando no aprendizado de um dos vinte níveis de sabedoria.
Os mestres maias sincronizadores do tempo, especialistas em calendários, entendiam que o tempo é a 4ª dimensão, radial, indo simultaneamente para todas as direções, num todo com funções de sincronia cada vez mais complexas. A função do calendário de 13 luas, portanto, é de nos sincronizar com o tempo verdadeiro e com a natureza, para uma vida em harmonia, com a consciência do caráter sagrado do que nos rodeia.
Ainda segundo a crença, para alcançarmos a vida em harmonia, seria preciso nos libertar das deformidades da atual e errônea maneira de se contar o tempo, o calendário com 12 meses irregulares. O calendário de 12 meses foi concebido a partir do círculo de 360 graus, ao qual se acrescentaram 05 para a obtenção dos 365 dias do ano. É um calendário sumério (3113 a. C.), cuja última versão é o calendário gregoriano. Os maias, que atribuíam tão grande importância para o uso do tempo, são a inspiração para a crença de que o uso equivocado do tempo acabou por deformar a percepção humana e conduzir ao estado caótico atual.
Neste sentido, o mundo vai se tornando mecanizado e artificial, e as pessoas passam a se parecer com máquinas, identificando-se apenas como consumidores. A hora de 60 minutos, por sua vez, seria a responsável por escravizar as pessoas e atrofiar seu relógio biológico, resultando na frequência 12:60, do materialismo.
Já o calendário de 13 luas é um calendário lunar-solar perfeito, que exprime o tempo natural, extraído dos ciclos da natureza que ocorrem infinitamente, independentemente da consciência humana disto. Acredita-se que se usado verdadeiramente, e não como uma mera excentricidade, ele expande a mente e a sincroniza com a ordem cósmica, levando à imaginação criativa que proporciona a elevação.
No ano de 2012, encerra-se um ciclo de 26.000 anos, e, acredita-se, será o fim deste período de violência e separação que vivemos por meio da reintegração da consciência humana do anel que a Terra descreve em torno do Sol. Esta é a crença maia de que só por meio do auto-conhecimento e do conhecimento do tempo (ambos estão intiamente correlacionados, fundindo-se em uma coisa só) consegue-se manter o planeta em ordem.
AH YUM HUNAB KU EVAN MAYA E MA HO!
(Salve a harmonia da mente e da natureza)
(esta é minha assinatura cósmica, meu kin - eu fiz o cálculo na mão quando era mais nova)
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domingo, 23 de maio de 2010
Curta metragem de grife
Eu estava pensando hoje no processo criativo envolvido quando se dá à luz uma personagem. Sintetizam-se características (mas apenas as mais encantadoras) de pessoas reais e se constrói um mundo à parte, bem atraente, de preferência. Sim, estou pensando em roteiros para histórias em quadrinhos, em escrever poemas, assistir filmes e ler livros, mesmo não tendo tempo para respirar direito essa semana. Eu não tenho culpa se todos os eventos culturais da cidade acontecem em maio e o clima está deveras inspirador.
Aí vai o curta com meu personagem favorito do Tim Burton. Este curta expressa bem a questão da criação de personagens. A voz do narrador é a do próprio Vincent Price, o lendário ator que deu vida no cinema a personagens de Edgar Allan Poe.
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