sábado, 28 de maio de 2011

Skinny little bitch


Em Curitiba - 2011.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Menino
























Vi esse moleque por aí. Estimo que tenha entre 10 e 13 anos. Um menino cool, e que sabe disto. Resolvi desenhá-lo porque naquele momento ele exibia uma interessante consciência de si mesmo. E me lembrou alguém que tenho em alta estima.  

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Bertoldo, o Brecht














Um senhor chamado Bertoldo Brecht foi ao meu trabalho nesta tarde. Declarou seu nome com a indiferença de quem não faz idéia do porquê de ter esse nome esquisito. Ou ainda com a indiferença de quem não gosta dos versos, e muito menos das peças de Bertold Brecht. O cidadão também poderia estar cansado de comentários acerca do quase homônimo famoso.

Caso esta última hipótese seja verdadeira, o sujeito teve sorte ao ter sido atendido pela Francine, e não por mim. Eu teria falado algo como “ah! Bertoldo Brecht!”, e, diante do cenho franzido de meu pretendido interlocutor, acrescentaria, sem jeito, “legal, legal...”.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Festival de Cinema de Maringá

Enfim eu fui ao Festival de Cinema de Maringá! O evento está em sua 8ª edição, a sétima que eu frequento, e, apesar de sua simplicidade, possui uma mostra organizada com esmero, além de oficinas, palestras, e debates. 
Logo na entrada, encontrei uma amiga querida que eu não via há muito tempo, como de praxe no evento.
Assisti aos dois últimos curtas da noite, e me encantei com a animação Menina da Chuva, dirigido por Rosaria (RJ). Gosto da força de sua mensagem, e dos traços, econômicos, cômicos e com cara de sketch.




Quem quiser ver um trecho pode tentar aqui. 


Vi também Agnus, curta de ficção que deve ser de terror (censura 14 anos), e que não faz meu "gênero", por vários motivos.


Mas o festival vai até sexta-feira e eu espero poder assistir a mais filmes, votar em meus favoritos e encontrar amigos que andam sumidos.


Alguém mais visitou a mostra? 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Cada um no seu Letes...


terça-feira, 17 de maio de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

domingo, 15 de maio de 2011

Nós, vitorianos



Estaríamos liberados desses dois longos séculos onde a história da sexualidade devia ser lida, inicialmente, como a crônica de uma crescente repressao? Muito pouco, dizem-nos ainda. Talvez por Freud. Porém com que circunspecção, com que prudência médica, com que garantia científica de inocuidade, e com quanta precaução, para tudo manter sem receio de "transbordamento", no mais seguro e mais discreto espaço entre divã e discurso: ainda um murmúrio lucrativo em cima de urn leito. E poderia ser de outra forma? Explicam-nos que, se a repressão foi, desde a época clássica, o modo fundamental de ligação entre poder, saber e sexualidade, só se pode liberar a um preço considerável: seria necessário nada menos que uma transgressão das leis, uma suspensão das interdições, uma irrupção da palavra, uma restituição do prazer ao real, e toda uma nova economia dos mecanismos do poder; pois a menor eclosão de verdade é condicionada politicamente. Portanto, não se pode esperar tais efeitos de uma simples prática médica nem de um discurso teórico, por mais ngoroso que seja. Dessa forma, denuncia-se o conformismo de Freud, as funções. de normalização da psicanálise, tanta timidez por trás dos arrebatamentos de Reich, e todos os efeitos de integração assegurados pela "ciência" do sexo ou as práticas, pouco mais do que suspeitas, da sexologia.


FOUCAUT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. 19ª ed. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro, Edições Graal, 1988-2009. p. 11.

A Foto é da obra de KENNEDY JAMES.

sábado, 14 de maio de 2011

Calaveras!


Dias em que já acordo morta de cansaço. 
Logo vai passar.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A megera


Ele já chega à Promotoria com o crime tipificado.
 – Qual é o problema do senhor?
 – Maus tratos, dona.  Minha velha me maltrata.
Artigo 99 do Estatuto do Idoso. Ele não sabe o artigo de cor, mas já ouviu falar no tal crime, tem certeza de que a lei vai enquadrar a megera que tem em casa.
– Mas o que exatamente aconteceu, senhor...senhor?
 – Argenino.
 – Então, seu Argenino, o que aconteceu com o senhor?
 – Minha velha. Não quer saber de cozinhar, não quer limpar a casa, não quer me dar os remédios. Imagina um homem da minha idade, vivendo nessas condições, na imundice, sem hora pra comer, sem hora pra tomar remédio...
A moça de óculos começa a lhe explicar alguma coisa, enquanto ele reflete, para enfim concluir sua reclamação:
– Acho que quando ela se casou comigo, sabia que ia ter que cuidar de mim, não é? 

domingo, 8 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

gente que eu vi na rua



Casal em Curitiba


Casal em Montevideo


Close neles


buraco de minhoca

quinta-feira, 5 de maio de 2011

3x2

Três velhos dísticos



I

Não sou defectiva.
Eu chovo.


II

a vida é sutil
por entre colisões e atritos


III

desarme-se
em notas musicais


(ou um verso de cada vez)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

roça, 6:00 a. m.

Bartô e Nina

terça-feira, 3 de maio de 2011

poema inacabado em 2010


meu irmão diz que quer ser juiz
e se tornar um  órgão do poder judiciário
eu quero ser um órgão barroco
encher todo o espaço possível
com notas musicais
e ter um silêncio ainda mais grave
rodeado de anjos descascados

segunda-feira, 2 de maio de 2011

ódio




Ódio

Odeie seu ódio
Odeie sua intolerância
Odeie seu mau humor
...
E odeie pimentão.

Simone Alves


O post pararia por aqui, mas não há como ficar indiferente aos recentes acontecimentos. Os norte-americanos comemoram com festa nas ruas a morte de um boi de piranha para anos de violência e intolerância (de ambas as partes, sublinhe-se bem). A despeito da bebedeira e das bandeiras tremulando, ninguém derruba o World Trade Center sozinho. 

domingo, 1 de maio de 2011

O passo suspenso da cegonha

Ontem fui ao Projeto Um Outro Olhar depois de muito tempo, por causa de um filme em especial: O Passo Suspenso da Cegonha, de Theo Angelopoulos, lançado em 1991 (o ano conflituoso em que, entre outros eventos de grandes proporções, extinguiu-se a URSS).  
O retrato de uma vila no norte da Grécia onde refugiados de vários países, como por exemplo o Irã, a Turquia, a Albânia e a Polônia, convivem confinados em um bairro em expansão, cheio de conflitos, à espera da liberação do governo para que possam seguir suas vidas em "outro lugar", que eles não sabem ao certo qual é, mas que significa, para eles, a liberdade, as oportunidades e a vida que anseiam.


"Quando a Terra começar a se queimar por ter se aproximado demais do Sol, a humanidade terá que  procurar outros planetas. Será a Grande Migração, como ficará conhecida posteriormente na história. As pessoas deixarão seus lares, com todos os recursos disponíveis, e se reunirão no Deserto do Saara. Lá haverá uma criança empinando uma pipa, bem alto. E então a humanidade toda segurará a linha da pipa rumo a outro planeta. Alguns levarão uma plantinha, uma rosa, um punhado de grama, ou um animal recém-nascido. E outros irão levar todos os livros de poesia já escritos. Será uma grande jornada".


Fábula contada por um velho refugiado para "entreter" uma criança, dentro de uma espécie de container que lhes servia de casa. Um trecho sentimental e representativo do filme.


Afora a jornada coletiva dos refugiados, que cruzam a fronteira porém permanecem prisioneiros de uma estigmatização, exclusão e intolerância que só faz crescer, há aquelas jornadas pessoais, tão dolorosas quanto.
Então, quando acaba o filme acaba você não pensa apenas em como o governo italiano lidará com as centenas de líbios que atualmente migram para a Itália, ou nas condições em que os refugiados vivem na Alemanha (embora a imprensa frequentemente os retrate como os vilões, que querem usufruir do Estado Democrático de Direito  sem respeitar as leis) ou nas pessoas que não conseguem asilo político no Brasil, ou mesmo na questão máxima: "como pode uma pessoa ser ilegal?", mas também no anseio de cada ser humano de se sentir em casa. Para onde é esta viagem? Nós nos aproximamos ou afastamos de casa?
E então, entre as indagações do fime, "Como alguém foge? Por quê? Para onde vai? Como se pode renunciar à própria identidade? O que é ser um refugiado? Quantas fronteiras teremos que cruzar até estarmos em casa?" surge, em minha mente, uma outra questão, de outro filme, O Deserto Vermelho (Antonioni, 1964), de uma outra época, em um outro contexto, mas que pode muito bem ser trazida para este: Será que existe algum lugar no mundo em que se possa se sentir bem?