Leminski
Ontem eu estava pensando no mato. Não só nos bosques por onde eu andava quando era criança, mas também no mato que toma quintais, engole alambrados já enferrujados e nunca se sacia. Concluí que uma casa bem cuidada pelas pessoas jamais é tão bela como uma casa abandonada. Talvez eu estivesse pensando na força infinita da vida. Ou talvez em algo menos importante. O fato é que antes de dormir achei este poema, que não fala de mato.
VOLÁTEIS
Anos andando no mato
nunca vi um passarinho morto,
como vi um passarinho nato.
Onde acabam esses vôos?
Dissolvem-se no ar, na brisa, no ato?
São solúveis em água ou em vinho?
Quem sabe, uma doença dos olhos.
Ou serão eternos os passarinhos?
Paulo Leminski
3 comentários:
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Agurado retorno
Nina, esse pequeno poema lembrou-me São Francisco de Assis...
Belas palavras.
Tão voláteis quanto os vinhos são os sonhos de um vôo alto...e solo.
Adorei!!! =)
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