sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Não sou boa.


Eu não sou boa. Sou só uma torturadora profissional. Está no meu contrato, saca? Eu não sou boa. Não sou boa o suficiente. Não sou boa o suficiente para você. Mas eu tenho uma profissão. Uma profissão que tem um manual. Um manual que eu sigo direitinho. Ademais, eu sou criativa, em minha profissão. Busco sempre as soluções mais práticas e mais eficazes. É assim que eu sou. Eu só sei torturar. Mas você não sabe de nada disso. Mudando de assunto, mas nem tanto, veja só: o rapaz sentado logo à frente está flertando comigo. Um jovem que mal pode saber que ele, ele próprio, é a única razão para eu estar aqui. Estou aqui para torturá-lo, para sorver a alma dele em um cálice de cristal. Dramático, não? Confesso que tenho um fraco por jogos de taças e                           espumantes finos.

2 comentários:

Unknown disse...

Gostei muito! Esses trechos esparsos são sempre tão marcantes!

JAS disse...

Adoro esse tom de confissão ! Lembrei-me de um conto do Machado de Assis no qual a personagem demonstra um imenso prazer ao ver o sofrimento alheio.