domingo, 8 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
3x2
quarta-feira, 4 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
poema inacabado em 2010
meu irmão diz que quer ser juiz
e se tornar um órgão do poder judiciário
eu quero ser um órgão barroco
encher todo o espaço possível
com notas musicais
e ter um silêncio ainda mais grave
rodeado de anjos descascados
segunda-feira, 2 de maio de 2011
ódio
Ódio
Odeie seu ódio
Odeie sua intolerância
Odeie seu mau humor
...
E odeie pimentão.
Simone Alves
O post pararia por aqui, mas não há como ficar indiferente aos recentes acontecimentos. Os norte-americanos comemoram com festa nas ruas a morte de um boi de piranha para anos de violência e intolerância (de ambas as partes, sublinhe-se bem). A despeito da bebedeira e das bandeiras tremulando, ninguém derruba o World Trade Center sozinho.
domingo, 1 de maio de 2011
O passo suspenso da cegonha
Ontem fui ao Projeto Um Outro Olhar depois de muito tempo, por causa de um filme em especial: O Passo Suspenso da Cegonha, de Theo Angelopoulos, lançado em 1991 (o ano conflituoso em que, entre outros eventos de grandes proporções, extinguiu-se a URSS).
O retrato de uma vila no norte da Grécia onde refugiados de vários países, como por exemplo o Irã, a Turquia, a Albânia e a Polônia, convivem confinados em um bairro em expansão, cheio de conflitos, à espera da liberação do governo para que possam seguir suas vidas em "outro lugar", que eles não sabem ao certo qual é, mas que significa, para eles, a liberdade, as oportunidades e a vida que anseiam.
"Quando a Terra começar a se queimar por ter se aproximado demais do Sol, a humanidade terá que procurar outros planetas. Será a Grande Migração, como ficará conhecida posteriormente na história. As pessoas deixarão seus lares, com todos os recursos disponíveis, e se reunirão no Deserto do Saara. Lá haverá uma criança empinando uma pipa, bem alto. E então a humanidade toda segurará a linha da pipa rumo a outro planeta. Alguns levarão uma plantinha, uma rosa, um punhado de grama, ou um animal recém-nascido. E outros irão levar todos os livros de poesia já escritos. Será uma grande jornada".
Fábula contada por um velho refugiado para "entreter" uma criança, dentro de uma espécie de container que lhes servia de casa. Um trecho sentimental e representativo do filme.
Afora a jornada coletiva dos refugiados, que cruzam a fronteira porém permanecem prisioneiros de uma estigmatização, exclusão e intolerância que só faz crescer, há aquelas jornadas pessoais, tão dolorosas quanto.
Então, quando acaba o filme acaba você não pensa apenas em como o governo italiano lidará com as centenas de líbios que atualmente migram para a Itália, ou nas condições em que os refugiados vivem na Alemanha (embora a imprensa frequentemente os retrate como os vilões, que querem usufruir do Estado Democrático de Direito sem respeitar as leis) ou nas pessoas que não conseguem asilo político no Brasil, ou mesmo na questão máxima: "como pode uma pessoa ser ilegal?", mas também no anseio de cada ser humano de se sentir em casa. Para onde é esta viagem? Nós nos aproximamos ou afastamos de casa?
E então, entre as indagações do fime, "Como alguém foge? Por quê? Para onde vai? Como se pode renunciar à própria identidade? O que é ser um refugiado? Quantas fronteiras teremos que cruzar até estarmos em casa?" surge, em minha mente, uma outra questão, de outro filme, O Deserto Vermelho (Antonioni, 1964), de uma outra época, em um outro contexto, mas que pode muito bem ser trazida para este: Será que existe algum lugar no mundo em que se possa se sentir bem?
O retrato de uma vila no norte da Grécia onde refugiados de vários países, como por exemplo o Irã, a Turquia, a Albânia e a Polônia, convivem confinados em um bairro em expansão, cheio de conflitos, à espera da liberação do governo para que possam seguir suas vidas em "outro lugar", que eles não sabem ao certo qual é, mas que significa, para eles, a liberdade, as oportunidades e a vida que anseiam.
"Quando a Terra começar a se queimar por ter se aproximado demais do Sol, a humanidade terá que procurar outros planetas. Será a Grande Migração, como ficará conhecida posteriormente na história. As pessoas deixarão seus lares, com todos os recursos disponíveis, e se reunirão no Deserto do Saara. Lá haverá uma criança empinando uma pipa, bem alto. E então a humanidade toda segurará a linha da pipa rumo a outro planeta. Alguns levarão uma plantinha, uma rosa, um punhado de grama, ou um animal recém-nascido. E outros irão levar todos os livros de poesia já escritos. Será uma grande jornada".
Fábula contada por um velho refugiado para "entreter" uma criança, dentro de uma espécie de container que lhes servia de casa. Um trecho sentimental e representativo do filme.
Afora a jornada coletiva dos refugiados, que cruzam a fronteira porém permanecem prisioneiros de uma estigmatização, exclusão e intolerância que só faz crescer, há aquelas jornadas pessoais, tão dolorosas quanto.
Então, quando acaba o filme acaba você não pensa apenas em como o governo italiano lidará com as centenas de líbios que atualmente migram para a Itália, ou nas condições em que os refugiados vivem na Alemanha (embora a imprensa frequentemente os retrate como os vilões, que querem usufruir do Estado Democrático de Direito sem respeitar as leis) ou nas pessoas que não conseguem asilo político no Brasil, ou mesmo na questão máxima: "como pode uma pessoa ser ilegal?", mas também no anseio de cada ser humano de se sentir em casa. Para onde é esta viagem? Nós nos aproximamos ou afastamos de casa?
E então, entre as indagações do fime, "Como alguém foge? Por quê? Para onde vai? Como se pode renunciar à própria identidade? O que é ser um refugiado? Quantas fronteiras teremos que cruzar até estarmos em casa?" surge, em minha mente, uma outra questão, de outro filme, O Deserto Vermelho (Antonioni, 1964), de uma outra época, em um outro contexto, mas que pode muito bem ser trazida para este: Será que existe algum lugar no mundo em que se possa se sentir bem?
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