segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Poema inacabado 4



o pássaro engaiolado
quer um canto triste
impregnado de certeza da morte
um canto que resista
à chegada da primavera
que atravesse o mês de setembro
o cruel mês de setembro
que perpassa
como uma faca 
o peito emplumado
quer algo além das grades
dos grãos 
do coração de pássaro

***


São feios mas são meus! Rabiscos de ontem e hoje. O bálsamo que é desenhar em post-it.





terça-feira, 21 de setembro de 2010

Violeta Violenta


da origem pinga apenas uma gota
uma gota rota
uma rota uma rótula uma mórula
amora de galho selvagem
selvagem vagem vaga
vagarosa a rosa desabrocha
desaba desasa o pássaro
desabro a janela
já nela o ninho
aves de linho
ave a linha da existência!
êxito êxodo 
eis o do final

***

Velho escrito de memória que dá azar. 

sábado, 4 de setembro de 2010

Nossa história

Estou aqui, diretamente da casa da minha avó, onde encontrei umas coisas muito interessantes... Diante da quantidade de material, escolhi meu tema preferido: as crianças.

Essa criança fantasiada é o meu avô, em Minas Gerais:
                                                


                                                

Meu avô (à sua esquerda) e seus dois irmãos, Tomires e Zizinho. A colcha que está no fundo da foto é uma relíquia (tear à mão).
                                                   

Enfim, as fotos começam a se confundir com a história de Maringá. Meu tio Luiz Otávio aparece naquela pracinha pequena em frente ao Colégio Instituto de Educação. Aqui o pessoal está especulando sobre a construção ao fundo. Seria a antiga Catedral? Eu acho que não, embora pareça ser o lugar onde se localiza a catedral.


Esta foto é do tio Luiz e da filha da comadre da minha avó. Repare a lata de óleo Maria, que virou uma caneca. Colocava-se uma "asa" na lata de óleo para se obter a medida de 1 litro. A caneca era usada nas compras na feira, por exemplo. A "casinha" no fundo é um banheiro. Tinha uma porta que dava para a casa da minha avó e uma porta para a casa da comadre. Um banheiro; duas famílias.


Em pé: tio Luiz (o maior), tia Mirinha, tio Benê. Meu pai está sentado.


Escadinha. Repare nas roupas iguais do meu tio e do meu pai (o laço na cabeça da minha tia é muito engraçado).


Olha que legal o bolo de aniversário do tio Benê... é um parquinho!

Meu pai na charrete...com o tio Benê (roupas iguais outra vez), e os dois com a tia Mirinha.




Tia Mirinha e a boneca Beijoca. O sofá era a última moda no mundo todo. Um de plástico estampado que deixava todo mundo suado. Uma desgraça.

Tio Luís em Poços de Caldas - MG; hype, não? Com ele, tia Tomires.



quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mundo perfeito

Gente, eu ia escrever um texto super mau humorado hoje, quando descobri essa maravilha que converte qualquer um em roteirista de novela da globo! Que concurso público o que! Vocês sabem o piso salarial da categoria dos autores de novela? Eu não sei, mas com o merchan e tudo mais já dá para ir juntando no cofrinho o dinheiro para uma cobertura no Leblon. Vi neste site aqui a cena que a guria (?) escreveu, olhasó:
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Helena, a estúpida - Cena 33.333

Garota de Ipanema como trilha incidental. Helena e Cláudia estão sentadas na mesa de um restaurante , o local fica no Pão de Açúcar, como a vista denuncia. Um garçom traz dois copos de martini para as mulheres. Helena sorri agradecida e conversa com Cláudia.
Helena:

- Muita gordura trans faz mal à saúde.


Cláudia:

- É verdade... Não sei porque tem gente que se preocupa com violência, com pedofilia e com tráfico. O que você falou e beber martini são muito mais importantes.
Helena:

- E não é? Sabe que isso me lembra aquela viagem que eu fiz para Roma? Foi quando eu conheci o Marcos e resolvi me anular como ser-humano.
Cláudia:

- Mas você fez a coisa certa! Tem que ser assim mesmo. Casar com um homem rico, abrir uma loja de roupas e não se esquecer de toda semana passar por um botox. 

Helena dá uma risada muito fina e discreta. Lá fora Fernandinho Beira-mar aponta uma arma para um pedestre. Geral no Pão de Açúcar. Sobe garota de ipanema.
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Eu também fiz a minha, que, modéstia à parte, ficou muito melhor!




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Helena, a lobotomizada - Cena 45 

Garota de Ipanema como trilha incidental. Helena está fazendo cooper no Leblon quando acidentalmente se encontra com Melissa. Na mesma hora ela pára e olha com ódio para a rival. O embate é inevitável.



Helena:

- Vagabunda! Você ainda tem coragem de morar aqui no Rio depois que foi pêga cantando o Fábio num café barato?
Melissa:

- Alto lá! Ele é quem estava me cantando. Aliás, até me convidou pra ir pra Paris com ele. Isso depois que me disse que o PSDB forjou a quebra do sigilo fiscal de seus membros... 
Helena (aos prantos):

- Mentira! Agora só falta você inventar que existe crack, favelas, desnutrição e Marcola no Rio. Pensa que eu sou boba?
Melissa:

- Que mentira? Mentira é o seu casamento. O pobre do Fábio precisa encher a cara de Cosmopolitan para te agüentar.
Helena (aos prantos):

- Escuta aqui: eu não investi em uma clínica de estética, em um implante de silicone e em toda espécie de futilidade para perder meu homem para você. Você acha que é fácil ser protagonista do Manoel Carlos? 

Helena tira uma adaga do meio do decote que generosamente mostra seu novo implante de silicone e aponta a arma para Melissa. Ao fundo, sol se põe no Leblon. Sobe Garota de Ipanema. 

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Quer fazer a sua? Mostrar para esses recalcados que você também é capaz de emplacar um sucesso de audiência em horário nobre? O Mundo Perfeito é o único que pode te ajudar! 

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Poema inacabado 3


rendas e fitas
flores de organza
e o diabo olhando...fingindo
o diabo com seus olhos azuis
risada de aridez desértica
provoca sem se esforçar
ouro do sol
anil na noite
embaralha as idéias
- poucas cartas -
com as quais não sei jogar

sábado, 28 de agosto de 2010

Amor só de Mãe

Recebi, via twitter, um curta metragem gótico produzido e estrelado por uma jovem brasileira. O vídeo era uma piada, mas, quando falei dele para o Raul, a conversa me fez lembrar que o Brasil produz filmes de terror. Lembrei especialmente do filme "Amor só de Mãe", de Dennison Ramalho.
Quem é do ramo recomenda o "Amor Só de Mãe".





O filme é descrito como "Terror Tupiniquim", e, em que pese os preconceitos, acho que a alcunha é muito interessante, pois a intenção de Dennison Ramalho era fazer um filme de terror com elementos brasileiros. Entre suas referências, ele cita a revista de quadrinhos brasileira "Kripta", um ícone dos anos 70 (eu gostei desse cara), e também aponta "O Exorcismo Negro", do Zé do Caixão e "O Massacre da Serra Elétrica". O filme teve um custo estimado em R$ 60.000,00 - o que significa que é um curta brasileiro dos mais caros.
Muito premiado entre os anos de 2003 e 2004, e exibido exaustivamente no Brasil e no exterior, o filme foi rejeitado em alguns festivais de terror, por ser ligeiramente desconfortável. 
Entre as curiosidades pertinentes ao filme, Pai Alex - pai de santo do Terreiro de Umbanda do Pavilhão 8 da Casa de Detenção de São Paulo - auxiliou a escrever o roteiro. 
A equipe foi atropelada pelo "Carandiru", em que trabalhou a maior parte dos seus técnicos, e enfrentou problemas para conseguir as atrizes. Mas enfim, Dennilson conheceu Débora Muniz, que "já fez de tudo na frente de uma câmera" e a Vera Barreto Leite, que faz o papel da velha mãe, e só reclamou da falta de maconha e de sexo nos bastidores, revelando seu desapontamento com a "caretice" da equipe.
O diretor jura que seu filme não é trash. Muitos acharão que o filme é  trash sim, e eu mesma enxergo uma "veia trash" nele. Mas confesso que ele é de dar medo.  

Eu tenho medo do "Amor só de mãe"!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Peligro


Eu tinha acabado de sair da UEM para ser abordada por dois rapazes com santinhos, folders, jornais o o c****** a quatro em materiais de campanha eleitoral, quando vi este stencil em uma cerca. Ele me fez sorrir.  A foto eu achei no google.


happy hour


happy hour 2 (ah...são links!)